Ser pai ou mãe é uma das experiências mais intensas da vida. Junto com o amor imenso, vêm o cansaço, as dúvidas, o medo de errar e, muitas vezes, questões da própria história que voltam à tona de formas inesperadas. A parentalidade mexe com tudo.
Being a parent is one of the most intense experiences in life. Alongside the immense love come exhaustion, doubt, fear of making mistakes, and often, aspects of one’s own history that resurface in unexpected ways. Parenthood stirs everything up.
Existe uma pressão cultural enorme para que a parentalidade seja vivida como uma experiência predominantemente positiva. Sentir raiva, exaustão, ambivalência ou arrependimento pontual é tratado como tabu, quando na verdade são reações humanas e comuns em quem cuida de outra pessoa com tanta intensidade.
Além disso, ter um filho frequentemente desperta memórias e padrões da própria infância. A forma como fomos criados influencia profundamente a forma como criamos, muitas vezes de maneiras que não escolhemos conscientemente.
There is enormous cultural pressure for parenthood to be experienced as a predominantly positive experience. Feeling anger, exhaustion, ambivalence, or momentary regret is treated as taboo, when in reality these are human and common reactions in someone caring for another person with such intensity.
Furthermore, having a child frequently awakens memories and patterns from one’s own childhood. How we were raised profoundly influences how we raise, often in ways we did not consciously choose.
A psicanálise tem muito a dizer sobre parentalidade. Winnicott, um dos grandes nomes da psicanálise voltada à infância, cunhou o conceito de “mãe suficientemente boa” justamente para aliviar a pressão da perfeição: não é necessário ser o pai ou a mãe perfeitos. É necessário ser presente, responsivo e capaz de reparar quando se erra.
Trabalhar a própria história em terapia frequentemente tem um impacto direto na relação com os filhos. Quando um pai ou uma mãe entende melhor suas próprias feridas e padrões, fica mais fácil não transmiti-los automaticamente para a próxima geração.
Psychoanalysis has much to say about parenthood. Winnicott, one of the great names in child-oriented psychoanalysis, coined the concept of the “good enough mother” precisely to relieve the pressure of perfection: it is not necessary to be the perfect father or mother. It is necessary to be present, responsive, and capable of repairing when mistakes are made.
Working through one’s own history in therapy often has a direct impact on the relationship with children. When a parent better understands their own wounds and patterns, it becomes easier not to automatically pass them on to the next generation.
“Não existem pais perfeitos. Mas existe a possibilidade de ser um pai ou uma mãe que reflete sobre o que faz e se dispõe a crescer junto com os filhos.”
“There are no perfect parents. But there is the possibility of being a father or mother who reflects on what they do and is willing to grow alongside their children.”
Não é preciso estar em crise para buscar terapia enquanto pai ou mãe. Muitos chegam com questões práticas sobre como lidar com determinadas situações com os filhos. Outros chegam com questões mais profundas sobre a própria história. Em ambos os casos, o espaço terapêutico oferece algo que poucos lugares oferecem: tempo para pensar sobre si mesmo e sobre o que está construindo.
You don’t need to be in crisis to seek therapy as a parent. Many come with practical questions about how to handle certain situations with their children. Others come with deeper questions about their own history. In both cases, the therapeutic space offers something few places do: time to think about yourself and about what you are building.
Se a parentalidade está trazendo questões que merecem atenção, podemos conversar. Não há julgamento sobre como você está exercendo esse papel.
If parenthood is bringing up questions that deserve attention, we can talk. There is no judgment about how you are fulfilling this role.